terça-feira, junho 30, 2009

NOVAS VIAS "O ARCO DO BAÚ (A2+ 7° E4 60m)" E "SUAVE DESESPERO(A2 6°sup E3 50m)"

O ARCO DO BAÚ (A2+ 7° E4 60m)

Conquistadores: Bito Meyer, Karina Filgueiras, Máximo Kausch

Toda vez que me deparo de frente para a Pedra do Baú, fico impressionada com sua beleza e imponência, no alto da colina reinando sobre a cidade. Como escaladora tenho ainda uma relação mais intensa e próxima com o Baú, pois foi o local aonde aprendi a escalar nos idos de 1989 e desde então freqüento e escalo assiduamente. Naquela época ainda não existiam as estradas asfaltadas que dão acesso ao Bauzinho e Ana Chata, e escalar ali ou mesmo subir pelas escadinhas era uma tremenda aventura, a começar por caminhar os 18km até o Bauzinho ou quando conseguíamos um carro, subir com ele por estradinhas de terra esburacadas. Durante estes 20 anos em que freqüento o local, muita coisa mudou, hoje as estradas são asfaltadas, o número de turistas aumentou, assim como o de montanhistas e escaladores e cada vez mais a região é reconhecida por seu potencial esportivo junto a natureza e o que não mudou é a sua beleza e imponência.
O desenho do Baú, assim como as nuances da sua formação rochosa é fascinante e nos presenteia com intinerários surprendentes e variados e pra nós que escalamos e gostamos de abrir vias o desafio é constante.

Sempre que eu olhava para a face norte do Baú, via a formação do “Arco do Baú”, bastante pronunciado e e com seu teto no sentido longitudinal da rocha, e me pegava pensando que, “ali era um desenho natural de uma via de escalada”.

e enquanto os cães estão latindo pra poeira....

Há alguns meses atrás conversando com o Bito, sugeri que fizéssemos ali uma via pegando todo o desenho do Arco, e que por sinal eu já havia visto o seu final de perto, quando estava conquistando a “Cães e Caravanas” ano passado. O Bito já conhecia a entrada de via, pois ele já tinha visto-a na conquista da Distraído Venceremos. Pronto a idéia estava lançada!
Arrumamos as tralhas, aproveitamos que o Bito iria dar um curso Avançado e já teria que levar as “toneladas” de equipo lá pra cima e assim demos início a abertura desta nova rota.

Tivemos a oportunidade de compatilhar com o Maximo Kausch, que é um montanhista apaixonado pelas altas montanhas, vários dias de bivac conversando sobre o Himalaia e suas expedições e dos seus “bastidores” e ele nos contou sobre deste universo, que é tão distante, que são os Himalaias terminamos o curso com a conquista do Arco do Baú.
A via é composta de 2 cordadas, sendo que a primeira o Bito entra guiando, misturando escalada natural com artificial num terreno de pedra quebradiça, talvez um A2 6° de aprox. 35m e este largo sai todo com proteções móveis, num diedro invertido, feio e com pés em cascas e lacas podres, o Bito com maestria, que somente seus 40 anos de ponta de corda permitem, termina esta cordada sem bater um único grampo a não ser a parada dupla.
Segue então para a segunda cordada, que é uma escalada em livre de 7° de aprox. 30m com pouca opção de proteção móvel e sem nenhum grampo, um possível E4. Perfeitamente escalável para escaladores experientes e acostumados a escaladas de parede e exposição, No dia Bito completa o largo sem colocar nenhuma proteção .




O Arco do Baú, é uma via fascinante, linda e exposta, bastante aérea e com passagens bastante técnicas e exigentes.
Pode ser acessada de duas maneiras, a partir da segunda cordada da Distraídos Venceremos, saindo para a direita, é preciso estar atento pois não há grampos e toma-se a linha óbvia de um diedro diagonal ou no sentido inverso acessando pela Cães e Caravanas, da base do teto, na ultima parada da via “Bito Meyer”


SUAVE DESESPERO(A2 6°sup E3)

Conquistadores: Karina Filgueiras e Bito Meyer



Depois de finalizada a escalada do Arco do Baú achamos que deveríamos fazer mais uma saída pelo magnífico teto que estava acima de nossas cabeças desta forma o Arco do Baú teria uma saída exclusiva.
Bom...lá fomos nós outra vez, juntamos de novo todas as “tralhas”, desta vez também o porta ledge duplo e fomos no feriado de 1 de maio para a parede, jumareamos a noite por uma corda que deixamos preparada para chegarmos no final do “Arco”,para na manhã do dia seguinte já estarmos na base do início da via e com o porta ledge montado.
Agora era minha vez, saio guiando pelas lacas podres, saindo a esquerda da Cães, depois de um pequeno trecho já percebo que será impossível prosseguir com escalada em livre e prossigo em “ artificial”. A parede é bastante descomposta e com muita pedra podre mas com cuidado eu conseguia encontrar boas colocações para Cliffs de agarra e em algumas situações tive que fazer furos para Cliff. A via prossegue desta forma até que consigo sair do negativo que forçava minhas costas, quando eu tinha que trabalhar com as mãos levantadas e entro na parte vertical da parede.
A partir daí, a escalada volta a ser uma parede mais sólida e consigo voltar a escalar em livre e a seqüência a seguir é de pequenas agarras e abaolados, de pés delicados. Sigo aprox.10m e chego a um platô transversal onde bato a primeira parada.
Este platôzinho éra uma surpresa agradável, pois de baixo não o víamos e era perfeito para ficar em pé e trabalhar. Karina guiando na conquista do teto da via Suave Desespero

A próxima sequência é toda em escalada livre, saio para a esquerda nesta transversal e depois a parede vai tornando-se vertical novamente e com boas agarras sigo por mais uns 8m e a parede, já quase no cume, deita e torna-se mais fácil; chego a um grande bloco de pedra, já no cume, aonde monto uma excelente para móvel com 3 peças “bomba”. Depois desta parte segue uma rampa fácil de 3 grau que vai em direção a vegetação do cume.

“Enquanto eu tava ali dependurada enfrentando meus “demônios”, antes mesmo de terminar a via eu já estava pensando qual seria meu novo itinerário.”



Rappel: de nenhuma das vias é possível rapelar, deverá sair para o cume e de lá descer pelas escadinhas.

Em breve estaremos disponibilizando os croquis no http://www.brasilvertical.com.br/






quarta-feira, junho 24, 2009

DISTRÁIDOS VENCEREMOS FACE NORTE BAÚ


REVIRANDO MEUS ARQUIVOS ENCONTREI UM ANTIGO EXEMPLAR DO MOUNTAIN VOICES DO ANO DE 1992.

Fato histórico que relembra as origens de escaladas importantes da região, numa época aonde não havia ainda a internet de hoje, que felizmente nos dá mais e melhores opções de registro e pesquisa.

Prestem especial atenção na parte em que os autores descrevem a participação dos escaladores na via, e tenham boas surpresas...notem como alguns fatos são distorcidos com o passar dos tempos.

Vejam abaixo a reprodução na íntegra da matéria, boa leitura!


MOUNTAIN VOICES ANO III NÚMERO 13 SET/OUT 1992 Cr$8.000,00
FACE NORTE DA PEDRA DO BAU - O PROJETO TKTS

A conquista da via "Distraídos Vence­remos" na face Norte da Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí (São Paulo) é sem dúvida uma das principais vias de es­calada em rocha abertas recentemente no pa ís, podendo ser considerada a principal via deste' conjunto montanhoso, sendo seus protagonistas, Bito Meyer e Edson Struminski (Du Bois), de Curitiba, Eliseu Frechou, atualmente morando em São Bento e José Luiz Pauletto, de São Paulo.
Por outro lado, pela cobertura jornalís­tica que recebeu, acabou tornando-se o evento montanhístico do ano.

Aspectos da via
A "Distraídos Venceremos" desenvol­ve-se no trecho mais extenso de rocha exposta da Pedra do Baú, na face voltada para São Bento, intercalando nas 3 e 4 corda­das iniciais, rampas de aderência ou agar­ras, com pequenas fissuras, diedros ou fendas de mão, que foram percorrido em escalada natural, sendo a proteção feita com equipamento móvel (friends grandes e nuts também grandes), 3 paradas (finais de cordada) foram feitas originalmente em móvel ou em proteção natural (árvo­re) e uma parada em chapeletas. A difi­culdade máxima encontrada neste trecho está em torno do 5° grau.
A cerca de 120 metros do chão insta­lou-se em bivaque para pernoite que foi mantido até o final da conquista, em pla­tôs de vegetação secundária (capim) e que serviu de ponto de partida no ataque à parte mais difícil da escalada, um trecho vertical que na maior parte é negativo e que consumiu os dias restantes da con­quista. Procurou-se evitar nesta parte o uso desnecessário de proteções fixas na pedra, algo que a ética moderna de mon­tanha classifica como "escalada limpa". Um pequeno trecho em artifical fixo (re­bites), foi aberto com o auxílio de uma furadeira elétrica, permitindo economia de tempo e do desgaste natural que ocor­reia se o mesmo trecho tivesse de ser aber­to no martelo. Nos cerca de 90 m deste trecho encontrou-se nesta primeira as­cenção dificuldades naturais de até 7° grau, e artificiais de A2 a A3.

Toda esta parte da escalada, com colo­ração avermelhada característica, apresentou grandes problemas aos escaladores em vista da descamação da rocha na forma de placas que iam desde pequenas agarras até platôs inteiros com dezenas de quilos, apresentando possibilidade de queda imi­nente para o guia e bombardeio garantido a quem ficasse abaixo.
A uns 20 m do cume a parede volta a apresentar-se mais simpática, com fissuras que permitiram o uso de material móvel, além de surgir um belíssimo platô (platô do anoitecer). A dificuldade desta passa­gem, em torno de 5° grau, pode aumentar no caso de umidade (neblina, chuva), co­mo ocorreu durante os dias de escalada.
Personagens
Outros acontecimentos e pessoas tive­ram destaque nesta história e por isso me­recem ser citados.
• O acidente com Elizabeth B. Frechou: este acidente ocorreu durante algumas to­madas para o programa Fantátisco da Rede Globo, após os repórteres pedirem ao es­calador Pauletto para puxar um saco de lona com equipo que iria ser usado na es­calada. Depois desta cena Pauletto prosse­guiu no reboque do saco enquanto o pes­soal abaixo se organizava para nova to­mada. 15 metros acima o saco engatou em uma grande pedra que soltou-se após pressão para liberar o reboque, atingindo Elisabeth. Rapidamente organizou-se o atendimento e evasão do local, enquanto pessoas desciam até São Bento em busca de socorro médico. Os repórteres da Glo­bo acabaram entrando na roda e dividi­ram o trabalho de remover Beth até a ambulância, que já havia chegado nesta al­tura. O resgate foi bem sucedido e Beth já se encontra em recuperação no momento em que este texto é escrito, apesar de 8 costeias quebradas. No momento do aci­dente, cerca de 12 pessoas encontravam-se na base da parede, além de equipo de escalada, material fotográfico, de vídeo, etc. O saco de reboque acabou parcial­mente destruído.
• A idéia de que a equipe do Baú preten­de escalar o Everest em 93: trata-se de uma pretensão até o momento apenas de Pauletto, que apresentou-se na imprensa como "o mais experiente dos 4 alpinistas que escalaram a Pedra do Baú" e chefe da expedição "Everest 93", os demais escala- . dores que participaram do evento tem, como é natural, inúmeros projetos dentro do montanhismo,. abstendo-se porém de divulgá-Ios, em respeito ao próprio even­to em si.

• Personagens fantasmas: ectoplasmas que estão em moda na crônica recente de nosso país e que apareceram também na escalada do Baú.
1. O "Japonês Taradão": conhecido es­calador paulista que logo que soube da realização da via apressou-se em aparecer em São Bento, exigindo um croqui da via, para repetí-la imediatamente.
2. O "espeleólogo trapalhão": explo­rador de cavernas e fotógrafo free-Iancer que cobria a escalada para uma revista de aventura e esportes de ação, este simpáti­co e prestativo personagem, acabou no entanto vrtima de um descuido durante uma descida noturna, causando um aci­dente e destruindo parte do seu equipo fotográfico.
3. Piton e Nut: vira-latas de Eliseu Fre­chou: pulavam em cima de todos os re­pórteres que apareceram em São Bento.
• Croqui da via: foi apresentado pelo es­calador Pauletto um croqui da via em um jornal paulista, com incorreções e deno­minações inexistentes. O croqui ilustrati­vo apresentado nesta matéria pode ser considerado o mais exato. Croquis téc­nicos podem ser solicitados aos demais es­caladores.


· A participação dos escaladores na via:

1. Eliseu Frechou: organizador do evento, contatando escaladores, profissio­nais da imprensa, patrocinadores e pessoal de apoio. Participou de 2 bivaques (per­noites) na parede, auxiliou nas tarefas de reboque do equipo, trabalhos fotografi­cos, conquistando cerca de 10 metros em escalada natural no trecho mais difícil da escalada, colocando uma - proteção fixa (rebite).

2. Edson Struminski (Du Bois). Abriu 3 cordadas cerca de 120 m em natural com equipo móvel no trecho inicial da escalada, um pequeno trecho em natural na parte mais difícil da parede, com uma proteção fixa e os 20 m finais da via também em móvel, participou de todos os biva­ques feitos na parede e realizou as tarefas comuns aos demais do grupo.

3. José Luiz Pauletto: também partici­pou das atividades gerais do grupo. Abriu a primeira cordada (cerca de 25 m) em natural, móvel da via, fixando 2 rebites ao final do trecho, 5 metros na segunda parte da escalada, com um rebite colocando ainda 4 rebites fixos em uma parada anteriormente feita em móvel por Du Bois. Participou de alguns bivaques na pa­rede, retirando-se durante a escalada pa­pra prestar declarações em jornais de São Paulo e emissores de TV voltando poste­riormente para a conclusão da via.


4. Bito Meyer: realizou como todos, as tarefas gerais do grupo, permaneceu em todos os bivaques necessários para a conclusão da via. Abriu os cerca de 90 me­tros mais difíceis e delicados da parede em escalada artificial móvel e fixo e natu­ral móvel e fixo.

O nome "Distraídos Venceremos" é uma homenagem a leveza de espírito do poeta paranaense de alma universal Paulo Leminski; um estudioso da filosofia orien­tal Zen, a qual possui muitos pontos em comum com o despojamento necessário para a realização de escaladas difíceis. Le­minski escreveu entre outros um livro de poemas com o título dado ao nome desta escalada e que vale a pena ser lido.
Bito Meyer, PR Eliseu Frechou, SP

Considerações
Como acontece nos bons filmes, a via "Distraídos Venceremos" acabou sendo um sucesso de público e de critica. A im­prensa preencheu suas necessidades de as­suntos interessantes para os seus consumidores, o patrocinador, a empresa de confecção TKTS teve amplo e variado retorno para os dólares investidos no evento, declarando-se plenamente satisfeita com o trabalho profissional os se a res; a população de São Bento sentiu-se li­sonjeada com a divulgação da cidade, retribuindo isto de forma carinhosa e hos­pitaleira e, finalmente, os montanhistas em geral acabaram recebendo uma nova via de escalada que, se não é a "melhor" ou coisa parecida do Brasil, certamente exigirá conhecimentos e experiência, brin­dando em troca aos escaladores que fo­rem repetí-la momentos de puro prazer no exercício da moderna técnica de esca­lada em rocha.

quinta-feira, junho 18, 2009

APRENDER E ENSINAR



APRENDENDO E ENSINANDO

Ensinar uma arte, um oficio, uma matéria de escola, um movimento ou um gesto. Como é difícil isso ...e prazeroso. Ensinar a beijar, ensinar sacanagem, a amar, a amar o lado de fora do mundo e principalmente de si, longe das vaidades, das mesquinharias e pequenez das almas sem percebimento, sem gratidão, que mesmo com grana e pretensão no bolso, são “sem nada". Ensinar a dançar, rodopiar, a flutuar abraçando o espaço e adivinhar de onde vem o golpe e com "graça e leveza", se esquivar ...e com a mesma "graça e leveza e atacar, firme e exato, como o pé do escalador que se “apoia” no nada...
Quando acontece isso... a autorização para ensinar, em que momento, no processo de aprender, somos autorizado...que podemos começar a ensinar.
Ensinando e aprendendo...que loco que é isso...diz o ditado: "aprendemos enquanto ensinamos". O que aprende um professor de primário no Brasil, pobreza, misera, descaso? Não só isso, aprende sobre crianças, inocência, sobre ser pai ,ser cuidadoso, mas também sobre pais indiferentes, pessoas despreparadas, política e sistemas e “na vida pra levar”, entre outra coisas...aprende sobre pessoas.

CONTINUE LENDO : APRENDER E ENSINAR POR BITO MEYER

sábado, maio 30, 2009

Cães e Caravanas nova via no Baú

Conheça a história da conquista de uma nova via de escalada na Pedra do Baú
Cães e Caravanas (6º VIIb (A1+/VIIIb) E3

Karina Filgueiras é montanhista, empresária e formada em Educação Física. Já escalou o El Captain, Half Dome, Leaning Tower, Cerro Catedral, Cerro Tronador, entre outros. Nesse texto ela relata a conquista de uma nova via na Pedra do Baú (SP), ao lado de Bito Meyer.

A via Cães e Caravanas, na face norte da Pedra do Baú, estava em nossas cabeças há mais de um ano, e o Bito Meyer já a tinha visto em 1994, quando esteve conquistando outra via na mesma face, a Distraídos Venceremos. Enquanto estávamos conquistando o Campo Escola Baú ,um local de treinamento que veio suprir a necessidade que havia na região de vias onde o escalador iniciante pudesse praticar com segurança e ambiente as técnicas de escalada, aproveitávamos para namorar a parede a nossa frente, sabíamos que ali esperava por nós, um tesouro do Baú. A Cães e Caravanas é uma via com enfiadas cheias da mais pura escalada em livre, num misto de proteção móvel e fixa. A via ficou bastante esportiva para uma via na face norte do Baú, que é desafiadora e difícil e com pouquíssimas vias, e mesmo estas vias com poucas repetições, devido ao grau de dificuldade e de comprometimento necessários para encarar essas vias.O trabalho seria árduo para mim e para o Bito, pois nossa intenção era fazer um ataque de vários dias e dele sair com a via pronta. Para isso precisávamos planejar e cuidar da logística de parede, como: levar água (3 lts/dia por pessoa), alimentação, equipos, cordas, mosquetões, móveis, costuras, fitas, equipo pessoal, todo o material de bivaque, saco de dormir, roupa, anorak, primeiros socorros, etc, totalizando, por baixo, uns 150 quilos de carga.

Karina batendo a primeira chapa da via e Bito rapelando no fim do dia

Transporte Começamos o transporte de água algumas semanas antes e durante este período tivemos a ajuda de vários amigos e carregadores, cada um levava um pouco do equipamento e assim conseguimos botar tudo no platô. Era impressionante ver o Bito com suas bengalas canadenses (que tem que usar para caminhar em trilhas depois da fratura na perna que sofreu anos atrás e que causou o enrijecimento da articulação do joelho), carregando uma mochila cargueira com 20 quilos. Só mesmo tendo o “espírito do montanhismo dentro de si”. Com todo o material no platô, nos restava partir para a via. Desde o início nos propomos a ir trabalhando juntos e dividiríamos todas as responsabilidades da conquista, inclusive guiar, o Bito guiaria uma enfiada e eu outra, mas eu estava tranqüila, afinal tinha o “mestre” Bito Meyer do meu lado. Esta era a via mais séria que iria encarar, até agora tinha conquistado vias curtas e apesar de eu estar acostumada às grandes paredes, como de Yosemite, quase tudo que eu havia escalado até agora, foram repetições de vias, ou seja, eu tinha como referencia que 'alguém' passara por ali, mas agora eu me moveria por caminhos “virgens”.


Karina conquistando a "travessia Du Loren" (o primeiro sutiã, ops.. travessia a gente nunca esquece)

Entrando no desconhecido
Escolhemos iniciar a conquista desde o platô do “MSP”, por uma fissura desafiadora, que ganho como presente e saio para o desconhecido, guiando por um terreno sem chapeletas com a responsabilidade de “criar Montanhismo”.A fissura é toda com boas colocações para proteções móveis (peças removíveis que colocamos na rocha). No início é relativamente fácil fazer as colocações das proteções, porém a fenda é formada por uma laca fina, e eu suspeitava que ela poderia quebrar com qualquer queda e no meio do desconhecido. Sem saber exatamente o que você vai encontrar e como seria o próximo passo, o meu coração dispara e tenho que trabalhar muito bem a cabeça para o pânico não “bater”. Depois de alguns minutos volta a concentração e eu consigo focar minhas energias e arrisquei-me na parede acima. Bato apenas duas chapeletas (proteção fixa) nesta cordada e chego a um platô, perfeito para uma parada.A primeira metade da via foi aberta com martelos e talhadeiras e a segunda parte foi com uma furadeira à bateria, o que tornou, em partes, o trabalho de grampear mais “fácil”. Mas para eu poder usar a furadeira e até mesmo me sentir a vontade e merecedora deste conforto tecnológico e conquistar esta via com o Bito, tive que bater (na mão) 8 furos numa tarde (aí nasceu a Tapa na Pantera, outra via que abri junto com o Bito em um outra região em que estamos abrindo um novo Campo Escola).O Bito entra para conquistar a próxima cordada, e de cima já aviso, “ta ficando linda”. Agora, mais uma fissura para peças pequenas, e sai em natural e assim foi, fomos revezando a cada cordada. A via tinha a característica das grandes vias de parede e estávamos preparados para tudo. Pensávamos que iríamos encontrar uma parede bastante trabalhosa, com trechos longos em escalada artificial, mas a cada cordada encontrávamos uma linha em livre, que nos levava a fazer um trabalho de escalada esportiva, forte, intensa e comprometida, e era muito bom saber que a via estava saindo em “natural”.

Conceito
Com o fato da via sair em natural, decidimos conquistar a via com um conceito bastante moderno e arrojado, pois a via tem graduação alta e as quedas acontecerão, porém são relativamente seguras para quem for repetí-la. Relativamente segura porque não grampeamos (não colocamos proteção fixa) onde era possível usar proteção móvel, o que aumenta o grau de comprometimento.Decidimos também fazer enfiadas curtas, pois a escalada ia mudando de forma a cada 20/30m, como se fosse separada por setores, e cada trecho é diferente do outro. Todas as paradas (local onde ocorre o fracionamento da escalada) estão muito bem protegidas, algumas com três chapeletas.Quando você leva uma queda, um vôo, numa falésia (parede pequena de rocha), já é adrenante, imaginem só isso acontecendo numa parede de aproximadamente 350m de altura, aérea e exposta. A via ficou maravilhosa e causou muita curiosidade e excitação na cidade e na galera escaladora, que acompanhou a nossa escalada dia-a-dia e viam nossas luzes de lanterna parede acima durante as noites. Fendas, faces verticais, regletes, negativos, teto, tinha de tudo e a cada metro que passávamos, o Bito me dizia “a escalada acontece de 2 em 2 metros, vamos em frente e com calma”. E eu ia desfrutando desses momentos...Seguindo as agarras chegamos à última cordada da via. Dali o Bito guia uma transversal de aproximadamente 20m, sem proteção em meio a pedra podre a qual chamou de “Benvindo a Ixtlan” (grau sugerido Vsup E3 E4 - grau de exposição a confirmar), chegando embaixo de um teto gigante, coberto de um líquen amarelado e de minério que reluz com a luz do sol.Teto - Bito equipa (coloca proteções fixas) o teto em A0, para que as pessoas possam repetí-lo, já que a via é toda em natural, e depois eu começo a conquistar os últimos 20m. Depois de muito esforço e duas quedas, consigo sair de “Ixtlan” pelo “caminho do Nagual” e chego ao cume do Baú. O Bito tinha razão, também aconteceu comigo... já não sou a mesma pessoa...

Logística e Planejamento
Para esta investida estávamos programando de cinco a sete dias de parede. Como éramos apenas em dois, o trabalho pesado era intenso, além da escalada propriamente dita.O pior e mais desgastante era fixar cordas, jumarear (ascender pelas cordas), limpar a via (retirando as proteções colocadas pelo guia), passar horas na mesma posição fazendo a segurança do seu companheiro, içar os equipamentos, fotografar, fazer comida, economizar água limpando as coisas, ficar atento às condições climáticas, derreter embaixo do sol e depois congelar no início e no final do dia, enfim... nem tudo era brincadeira e esporte, uma trabalheira enorme, que terminava normalmente às 20h, dentro de nossos sacos de dormir. No dia seguinte acordar cedo, com as mãos já inchadas, cortadas e doloridas, começar tudo de novo, um trabalho difícil, cansativo, comprometedor e lógico arriscado.Tentávamos tomar um bom café da manhã, mas nem sempre era possível. A tensão do dia que viria pela frente e a sensação de descoberta e do desconhecido que estava na nossa frente, nos deixavam com uma certa “inapetência matinal”.Preparava um lanche, guardava na mochila e começava o dia ascendendo pelas cordas, interminavelmente, com enormes mochilas nas costas tantas vezes, que chegava a esquecer da altura.O balanço - Depois desta conquista, aprendi muito sobre escalada e conheci também um novo lado do Montanhismo: a sua expressão mais pura e anárquica. Apesar de estar acostumada a escalada de grandes paredes e de já ter escalado vários big walls, permanecendo até cinco dias na parede e em várias regiões do mundo, cheguei a conclusão que a magnitude da conquista de uma via como esta é inigualável.O Comprometimento, o Companheirismo, a Cumplicidade e o Entendimento do Universo que rege essa harmonia entre os três elementos de uma escalada, que são, Você, seu Companheiro de cordada e a Parede, esses momentos são únicos e ao mesmo tempo inexplicáveis. Você se expõe de todas as formas e arrisca sua vida na ponta da corda e passa a conhecer de onde vem a força desses homens e mulheres, “originais e verdadeiros” que enchem nossos corações e espíritos com histórias de montanhas cheias de determinação, comprometimento e paixão.Concordo com o Bito quando ele diz que a conquista ou abertura de uma via como esta é um trabalho autoral, intelectual e que reflete muito do seu íntimo, e porque não dizer que é uma expressão artística do seu universo e da sua capacidade de criar e ser original.

Um pouco dos números
Não sei exatamente quanto utilizamos para realizar esta via, mas aqui vão alguns números:

Equipamentos:
· 5 cordas de 60m (2 dinâmicas, 2 estáticas e 1 retinida)
· 50 mosquetões soltos
· 20 mosquetões de rosca
· 20 costuras longas
· 1 jogo de Camalots e Nuts (peças móveis para proteção - total 20pçs)
· 6 ganchos (cliffs)
· 15 fitas diversas
· 56 chapeletas com chumbadores, batedores e martelo, brocas, furadeira
· 2 mochilas de ataque
· 1 mochila cargueira
· 1 haul bag (saco de lona plastificada super resistente).Equipamentos de acampamento:
· sacos de dormir
· sacos de bivaque
· isolantes térmicos
· fogareiro
· utensílios de cozinha
· head lamps
· primeiros socorros.
· Além de tudo isso ainda há a alimentação de todos estes dias, carregadores e combustível do veículo nas diversas viagens de São Paulo à Pedra do Baú.

Classificação da Via

Nome: Cães e Caravanas

Conquistadores: Karina Filgueiras (40) e Bito Meyer (51)

Graduação Sugerida: 6º VIIb (A1+/VIIIb) E3

Descida: pelas escadinhas a partir do cume. Os rapéis da via são possíveis de qualquer trecho com duas cordas de 60m. A partir da P6 o rapel fica trabalhoso e com grandes pêndulos (não recomendamos para quem não estiver habituado a este tipo de situação).

Distância de Trilha: aproximadamente 1 hora com carga.

Download do CROQUI: http://www.brasilvertical.com.br/antigo/index.html

Matéria Publicada

Portal Webventure em 22/07/2008
http://www.webventure.com.br/vela/conteudo/noticias/index/id/23107?pag=1

Outras Publicações

Brasil Vertical http://www.brasilvertical.com.br/antigo/index.html
Wilo Montanhas http://montanhas.wordpress.com/2008/07/22/via-nova-no-bau/
Blog do Baldin
http://blogdobaldin.blogspot.com/2008/07/nova-via-na-pedra-do-ba-sp.html
Pempem Blog
http://pempem.blog.uol.com.br/arch2008-07-20_2008-07-26.html

Escalando em Cochamó

As Grandes Paredes de Cochamó
por Roberta Nunes e Karina Filgueiras

Esta viagem veio meio como uma boa surpresa. Confesso que ainda me sentia cansada da última e intensa aventura na Groelândia e estava conformada a passar este verão no desfrute de minha terra natal. Mas a história se formou quase por si só e quando vi lá estava eu e mais três bons amigos indo rumo ao desconhecido: as grandes paredes de Cochamo.Este lugar de beleza impar e selvagem se encontra a 100km de Puerto Montt, no Chile , fazendo parte da cordilheira andina. Fazia parte da expedição Dálio Zippin e Maurício Clauzet, que formariam dupla e cuidariam da parte fotográfica e vídeo, e Karina Filgueiras e eu como dupla feminina a aventurar-se naquelas maravilhosas paredes, algo bem raro para duas brasileiras.Resolvemos descer de carro os 3.500 km de estrada onde teve início nosso pequeno vídeo. Depois de quatro dias de muita poeira e estradas quase intermináveis chegamos ao pequeno vilarejo de Cochamo, onde contratamos cavalos que auxiliariam nosso transporte até a base das paredes do conjunto montanhoso Trinidad. Quase seis horas de caminhada por um terreno acidentado e um visual surpreendente, beirando todo o tempo um rio que descia desde o alto do vale. Cada vez que entrávamos para no vale mais selvagem se sentia o ambiente.Depois de um longo e puxado percurso, chegamos na fabulosa base de um vale infestado de paredes que variavam de 500 a 1000 metros de altura, para tirar o fôlego! Descansamos e nos acomodamos bem em nosso novo lar por vinte dias, onde a lei era viver o presente e desfrutar daquela babilônia em granito.



Karina e Roberta e Tonto no Gendarme

A escalada
Começamos pela menor agulha granítica, Gendarme, que já deu para tremer as pernas; o estilo de escalada exigia psicologia. Levou alguns dias mais de escalada antes de realmente nos sentirmos encorajadas a provar uma via mais difícil e comprometida. Tudo em seu tempo.Por fim, chegou o dia. Escolhemos uma bonita via em estilo tradicional, ou seja, sem bolts, toda protegida em friends e fissureros, de 500 metros e de certa forma comprometida por não podermos rapelar por ela, na Pedra do Gorila.No começo nos sentíamos um pouco tensas, mas a fluidez não tardou em chegar e subimos rápido e boa parte em simultâneo, tendo problemas apenas no final, onde infelizmente acabei me perdendo num sistemas de fendas nada agradáveis. Por sorte e com tranqüilidade conseguimos resolver a situação e encontramos nossos amigos começando os rapéis. Com esta investida nos sentimos saciadas de aventura apimentada e com a certeza de que podemos seguir escalando juntas. Nada melhor que situações limitantes para se conhecer realmente.Informações - Cochamo é um potencial em paredes para estilo alpino e big wall. A rocha é composta de sistemas de fendas em um resistente granito perfeito para friends tipo off-set, por apresentar suas fendas mais arredondadas. Pode-se ir direto de Santiago, capital chilena, até Puerto Montt e pegar um pequeno ônibus para Cochamo. Vai o super toque também com relação ao lixo: é necessário trazê-lo de volta. Foi muito desagradável estar num lugar tão especial com marcas bem grandes de outros acampamentos de escaladores.Aconselho uma boa dose de escalada em Salinas, no Rio de Janeiro, e Frey, em Bariloche, antes de se aventurar por aquelas lindas paredes que, sinceramente, são exigentes psicologicamente.É necessário contratar cavalos para a aproximação e levar alimentação para o período integral de estadia. A época favorável é de dezembro a final de março e com sorte pode-se ter belíssimos dias ensolarados.Não se assuste com a intensa visita de vários tipos de tábanos, parecidos com as nossas mutucas (mosquito) de rio, um pouco vorazes. Acredito ter ao todo 15 rotas de escalada conquistadas nestes últimos cinco anos por cordadas de várias partes do mundo. Qualquer dúvida entre em contato!
Roberta Nunes (em memória)

Matéria Publicada
Portal Webventure em 13/05/2004
http://www.webventure.com.br/montanhismo/conteudo/noticias/index/id/12053
Outras Publicações
http://www.oeco.com.br/helena-artmann/48-helena-artmann/18288-oeco_23527






Big Wall em Yosemite escalada do El Captain


El Captain Big Wall em Yosemite - Via Lurking Fear

Por Karina Filgueiras

Esta foi minha terceira vez em Yosemite e a segunda para escalar big walls. Quando cheguei ali a primeira vez em 2003 já tinha a intenção de escalar um dos big walls no EI (apitan, mas fui na primavera e o tempo não colaborou. Quando olhamos a parede e vimos um dos platôs totalmente (oberto pela neve tivemos que desistir da via e acabamos por escalar outra parede maravilhosa, a Leaning Tower, pela via West Face (Grade V 5.7 (2). Bem, voltei para casa decidida a voltar ali em outra época e encarar o EI Cap
Agora em 2005 me encontrei ali com meu bom amigo Jose Barbado (Pepe), da Espanha, e decidimos então que íamos "encarar" o EI Cap, já que o Pepe também havia tentado escalá-Io em 2004 mas não havia consegui­do. Decidimos então nos preparar para escalar a Lurking Fear (VI 5.7 C2/A2) no mais puro estilo "bigwallero" tradicional. ou seja. logística e organização para vários dias de parede, portaledge. água, comida, sacos de dormir, equipos. cordas, e nós estávamos alucinados com a idéia de dormir na parede do EI Cap por vários dias.
Começamos a "juntar" tudo, a caçar garrafa pet para água (acreditem, isso é raridade no Camp 4), juntar e fazer conferência dos equipos, decidir o que levar de comida. etc. ..• bom, dois dias para organizar isso e partimos para a base da parede com os haul bags bem pesados. A Lurking é uma das vias no EI Cap com acesso mais distante, uma longa trilha meio que de trepa pedra. os amigos escaladores do Camp 4 nos diziam "vocês estão loucos, vão "morrer" com o "hauling" (movimento de puxar os haul bags por um sistema de polias). tentem outra via com hauling mais fácil!" Mas não adiantava. estávamos encantados com a linha da via e decididos escalá-Ia. Um dia transportando nossas coisas para a base da parede e começamos a fixar cordas. A via tem 19 cordadas e depois de quatro dias de escalada, três noites na parede (sendo duas dormindo em portaledge e uma numa "cave", platô) chegamos ao cume! Mais um dia para descer do cume com uma longa e dolorida caminhada e sequéncia de rapéis com haul bags pesados ..... mas vale muito a pena passar dias com os pés na parede e a cabeça no ar!!!!! foi show!!!
no cume com as "tralhas pra descer" e guiando fenda

Voltamos ao Camp 4 e depois de dois dias de descanso e já "calenta­dos" e satisfeitos pela escalada e entrosamento que tivemos na parede. Pepe e eu decidimos fazer mais uma investida e tentar escalar outra via no EI Capo Convidamos um outro amigo escalador. o Willy, e fomos para a Zodiac (VI 5.7 A3). Estávamos preparados para mais cinco dias de parede. ou seja, com comida, água (80 Its.), sacos de dormir, portaledges e tudo o mais ... mas não conseguimos escalá-Ia até o fim .... tivemos que descer da via na quarta cordada pois ameaçava chegar uma "tormenta" e falando no rádio com amigos que estavam "em terra" sobre o clima, decidimos baixar e aguardar. Deixamos ali as cordas fixas. aguardamos dois dias até que o tempo melhorasse e voltamos para a parede. jumareamos as quatro cor­dadas no negativo (hughhh!!!) e escalamos até a sexta cordada. quando tivemos que descer definitivamente e abandonar a via pois uma das cor­das, a dos haul bags. começou a apresentar problemas. sua capa começou a rasgar em dois pontos e aí não tínhamos mais como prosseguir ..
Bom, na escalada é assim ... às vezes chegamos ao cume e às vezes não ... O que importa é desfrutar e aprender em todos os momentos e respeitar este ambiente que amamos, a montanha!!!!!

Matéria Publicada

Revista Headwall n° 12 Dezembro 2005

visual da 14 cordada ao lado Pepe com haul bags

Primeira Brasileira a escalar a Leaning Tower

visual de todo Vale Yosemite, com Leaning Tower a direita



Karina Filgueiras conclue Leaning Tower - Yosemite California-EUA

Os montanhistas brasileiros Karina Filgueiras e Eliseu Frechou terminaram no último domingo (25/05) à noite a primeira ascensão brasileira na parede Leaning Tower, nos Estados Unidos. O trajeto escolhido foi a via West Face que apresenta alta dificuldade (A3) e nunca foi escalada por brasileiros. A parede é considerada a mais negativa da América, com 110º de inclinação na parte de baixo e 95º na de cima.A escalada durou três dias. No primeiro, a dupla transportou os materiais; no segundo, fixou 120 metros de corda; e no terceiro, finalizou a aventura. Nesse meio tempo, eles tiveram de dormir lá, mas isso não foi obstáculo. “Escalar a Leaning Tower era um sonho antigo nosso e foi muito legal realizá-lo", comenta Frechou. "Conseguimos finalizar a via em apenas 3 dias, sem prejudicá-la. Colocamos o menor número de grampos possível”.O clima, apesar de frio para essa época do ano, não atrapalhou a escalada dos montanhistas. A temperatura esteve na média dos 15 graus, chegando a zero grau durante a noite. “Nos primeiros dias, houve tempestades e raios. Por isso, começamos um dia depois do previsto.”


Matéria Publicada

Portal Webventure em 28/05/2003

http://www.webventure.com.br/montanhismo/conteudo/noticias/index/id/9557